domingo, 10 de julho de 2011

Crack, o fim dos tempos?


Essa semana eu produzi um documentário que mexeu muito comigo.
Nossa missão era mostrar o atendimento de uma equipe de assistentes sociais, piscólogos e voluntários, em um consultório de rua, funcionando no centro da cidade e que atende viciados em crack, alcólatras e moradores de rua.
E sinceramente, não da pra ficar indiferente a essa realidade. Eu sou mãe, e ver uma criança de 8,9 anos fumando crack, e pedindo pra gente sair dali porque estavamos estragando a "paranoia" dele, realmente não é uma cena que ninguém esteja preparado para ver, a gente prefere fingir que estão bem distantes de nós.
E isso só faz pior a situação! Quando surgi uma pandemia como a H1N1 por exemplo, o mundo todo se mobiliza, as vacinas são produzidas em tempo record, todos os países se unem pra resolver o problema, todos são solidários, e obviamente milhões de dólares são gastos, afinal de contas é um problema de saúde pública! SIM, mas o crack também é um problema de saúde pública! A cada dia que passa milhares de pessoas se viciam, mas enquanto isso não atinge diretamente vc, nada acontece...
No meu caso, perdi meu irmão de 16 anos, vitima de um latrocínio (assalto seguido de morte) por um rapaz de 18 anos, viciado em crack, e que em 3 dias cometeu 1 homicídio, 1 latrocínio, 1 estupro e só foi preso porque participou de uma chacina!
Ah, e meu irmão foi enterrado no dia do meu aniversário.
Se alguém dos direitos humanos nos procurou?
Claro que não, ninguém foi perguntar se minha mãe tinha saído do estado de choque, ou o que seria da nossa vida depois daquele crime?
Mas estavam lá, pra defender o assassino do meu irmão, que tinha levado uma surra da policia!
Meu irmão era atleta, não bebia, não fumava, era um bom menino que foi levado embora precocemente vítima do crack!
Ou seja, ignorar que eles existem, ou achar que isso está distante de nós, é o pior erro que podemos cometer.
E o mais louco de tudo é pensar em todos os destinos que foram mudados por causa dessa única bala que atingiu meu irmão. Eu, meu filho, minha mãe, o marido da minha mãe mudamos de cidade, automaticamente isso atingiu diretamente os filhos do marido da minha mãe, o pai do meu filho, minha amiga que veio me visitar e resolveu mudar pra ca, com a filha dela, que ficou longe do pai, o meu filho mais novo que nasceu aqui e que tem mais 6 irmãos..enfim são dezenas de destinos modificados a partir de 1 ato de violência!
Isso foi em 99, até agora eu só vejo a situação piorar, e em proporções catastróficas, e o pior de tudo é que eu não vejo perspectiva de melhora, cada vez mais o medo toma conta da sociedade.
Vi muitas histórias essa semana, me sensibilizei com muitas pessoas, e vi que estamos cada vez mais longe de conseguirmos mudar essa realidade, a velocidade que o crack se espalha e inversamente proporcional a quantidade de ações que vem sendo realizadas para o combate dessa doença que além de estragar o corpo, compromete a alma, apagando o brilho do olhar, e tirando cada vez mais a humanidade do ser!

Um comentário:

  1. Deve-se realizar campanhas em que a solidariedade e mobilizaçao ampliem seu campo de acao,dessa forma,e dessa forma destruir aos poucos essa manifestaçao maléfica!!!

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